Almada Negreiros: Retrato do Poeta Fernando Pessoa, 1954.
A internet é, sem dúvidas, uma grande invenção.
E como todo grande invenção, causa algum sofrimento.
Mas tenho certeza de que, na língua de Camões, poucos sofrem mais que o Fernando Pessoa.
O probre português de múltiplas personalidades teve sua obra inflacionada com textos de qualidade duvidosa por milhares de internautas.
E gente que jamais leu o lusitano vive por aí citando textos horríveis como se fossem dele. Claro. Porque se essas pessoas o tivessem lido seus versos, não seriam capaz de dizer que Pessoa escreveu
essas coisas. Ou que a frase "Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo" é dele.
Isso sem falar das dezenas de power points que já recebi com auto-ajuda de quinta atribuída ao pobre poeta português.
Claro, também, que todas essas frases são atribuídas a Fernando Pessoa ele mesmo. Até porque eu suponho que quem lhe "presenteia" na internet desconhece seus heterônimos - e sorte deles!
Coitado do Pessoa... Eu tenho pena dele quando vejo o que lhe imputam por aí (imputam mesmo, porque alguns textos parecem crimes contra a literatura mundial).
Meu único consolo é saber que se ele estivesse entre os vivos, navegando, atacaria de Álvaro de Campos, via twitter: "Vão para o diabo sem mim, ou deixem-me ir sozinho para o diabo. Para que haveríamos de ir juntos?"